domingo, 2 de novembro de 2025

LAB. CHS - Atividade Pontuada Laboratório Ciências Humanas e Sociais - Duplo Impacto das Redes Sociais: Conexão, Fragmentação e a Busca por um Brasil Mais Inclusivo

Leia o texto abaixo e responda às perguntas da folha de atividade pontuada 

Texto:

O Duplo Impacto das Redes Sociais: Conexão, Fragmentação e a Busca por um Brasil Mais Inclusivo


O Ser Humano: A Essência Social

Ser um ser humano vai além da existência biológica. É possuir consciência de si mesmo, a capacidade de refletir sobre o passado e imaginar o futuro, de criar arte, de buscar significado e de ser movido por emoções complexas. Características como a linguagem simbólica, a criatividade, a ethicalidade (a noção de certo e errado) e a intencionalidade nos definem. No cerne dessa condição está uma verdade fundamental: o ser humano é um ser social por natureza.

Aristóteles já afirmava que o homem é um "animal político" (Zoom Politikon), significando que só realizamos nosso pleno potencial dentro de uma comunidade. Precisamos tanto do próximo porque é na relação com o outro que construímos nossa identidade, aprendemos a linguagem, internalizamos valores, compartilhamos afetos e encontramos proteção e sentido de pertencimento. A solidão, para o ser humano, é muitas vezes mais aterradora do que qualquer privação material, pois contradiz nossa essência mais profunda.

Exclusão e Inclusão Social: A Dialética Brasileira

Se somos naturalmente sociais, a exclusão social é uma violência contra a condição humana. Ela pode ser definida como o processo que impede indivíduos ou grupos de participarem plenamente da vida econômica, política, cultural e social, negando-lhes o acesso a direitos, oportunidades e dignidade.

No Brasil, quatro fatores principais contribuem para sua ocorrência:

1. Desigualdade Econômica Estrutural: Uma das mais altas do mundo, cria um abismo que limita o acesso a moradia, saúde, alimentação e lazer para grande parte da população.

2. Discriminação Racial e de Gênero: O racismo e o sexismo estruturais são barreiras potentes que impedem o acesso de negros, indígenas e mulheres a posições de poder, salários equitativos e a um tratamento digno.

3. Deficiência no Sistema Educacional: A educação pública de baixa qualidade perpetua ciclos de pobreza e limita a mobilidade social, tornando-a mais um fator de exclusão do que de inclusão.

4. Preconceito Territorial: Moradores de periferias e comunidades rurais muitas vezes sofrem com a estigmatização e a negligência do poder público, o que dificulta seu acesso a serviços e oportunidades.

Em oposição, a Inclusão Social é o processo ativo de garantir que todos os indivíduos, sem exceção, tenham acesso às oportunidades e recursos necessários para uma participação plena e equitativa na sociedade.

A Inclusão Social é importante porque:

· Benefícios da Inclusão: Gera uma sociedade mais coesa, justa e pacífica; potencializa os talentos de toda a população, impulsionando a economia e a inovação; e fortalece a democracia, pois todas as vozes são ouvidas.

· Prejuízos da Exclusão: Gera violência, frustração e tensão social; representa um desperdício de potencial humano; corrói a confiança nas instituições e enfraquece o tecido social.

As Redes Sociais: A Nova Ágora e Seus Paradoxos

As redes sociais digitais são plataformas online que permitem a criação e o compartilhamento de conteúdo dentro de redes virtuais. Elas revolucionaram a forma como nos relacionamos e, em especial, como os movimentos sociais se organizam.

Influências Positivas:

· Organização e Mobilização: Permitem convocar protestos e ações coletivas com agilidade e baixo custo (ex.: Primavera Árabe, Jornadas de Junho de 2013).

· Visibilidade a Causas Marginalizadas: Amplificam vozes que eram ignoradas pela mídia tradicional, como denúncias de racismo, LGBTfobia e violência contra a mulher.

· Fortalecimento da Cidadania: Facilitam a prestação de contas e o monitoramento de políticos e instituições.

Influências Negativas:

· Polarização e Bolhas de Filtro: Algoritmos nos mostram apenas conteúdo que confirma nossas crenças, aprofundando divisões e dificultando o diálogo.

· Disseminação de Desinformação (Fake News): Notícias falsas se espalham mais rápido que as verdadeiras, manipulando a opinião pública.

· Ansiedade e Comparação Social: A cultura da "vida perfeita" gera inadequação, ansiedade e depressão, especialmente entre os jovens.

· Discursos de Ódio: Oferecem um palco para a propagação de intolerância e ameaças a grupos vulneráveis.

Diante disso, surge a necessidade de regulamentação e responsabilização das empresas. Isso não significa censura, mas estabelecer regras claras sobre transparência algorítmica, moderação de conteúdo, proteção de dados e accountability por danos causados pela disseminação em massa de desinformação.

Empatia, Equidade e Inclusão: Conceitos Interligados

· Empatia: É a capacidade de se colocar no lugar do outro, compreendendo seus sentimentos e perspectivas. É o alicerce emocional para a inclusão.

· Equidade: Diferente de igualdade (tratar todos iguais), a equidade significa dar a cada um o necessário para que tenham as mesmas oportunidades. Reconhece que pontos de partida diferentes exigem medidas diferentes.

· Inclusão: É a prática. É criar ambientes onde diversas pessoas são não apenas aceitas, mas valorizadas e integradas ativamente.

Minorias e Movimentos Sociais

Minorias são grupos sociais que, embora possam ser numericamente significativos, ocupam uma posição de desvantagem e menor poder na sociedade. Exemplos no Brasil incluem a população negra, comunidades indígenas, população LGBTQIAP+, pessoas com deficiência e mulheres (que, embora maioria numérica, são minoria em posições de poder).

Os Movimentos Sociais 

Movimentos sociais são ações coletivas organizadas que visam promover ou resistir a mudanças na sociedade. Atuam em diversas frentes:

· Movimento Negro (ex.: Coalizão Negra por Direitos): Luta contra o racismo, pelo genocídio da população negra e por políticas de reparação.

· Movimento LGBTQIAP+: Enfrenta a homofobia e transfobia, buscando direitos civis e visibilidade.

· Movimentos Socioambientais (ex.: Fridays for Future, Articulação dos Povos Indígenas do Brasil - APIB): Pressionam por ações contra as mudanças climáticas e pela defesa dos territórios indígenas e do meio ambiente.

· Movimentos de Moradia (ex.: MTST): Lutam pelo direito à cidade e à moradia digna.

O perigo dos Mercadores Sociais: A Inclusão como Mercadoria

Os mercadores sociais são indivíduos ou grupos que instrumentalizam causas sociais e a linguagem da empatia para obter ganhos pessoais, como poder político, influência ou lucro. Eles atuam utilizando a estética dos movimentos sociais genuínos, mas sem um compromisso real com a mudança estrutural.

As principais características dos mercadores sociais são:

· Oportunismo: Aderem a causas no momento em que estão em alta na mídia.

· Superficialidade: Sua defesa é performática, focada em gestos simbólicos sem substância.

· Individualismo: Transformam lutas coletivas em narrativas de autoajuda ou empreendedorismo individual.

· Desvio de Atenção: Focam em soluções paliativas, desviando o foco das raízes sistêmicas dos problemas.

Ações Afirmativas: Reparando Injustiças

Ações afirmativas são políticas públicas ou privadas concebidas para corrigir desigualdades históricas e promover a igualdade de oportunidades para grupos socialmente discriminados. Seu principal objetivo é acelerar o processo de inclusão social, reparando injustiças do passado que ainda impactam o presente.

Quando é necessário as ações afirmativas?

As ações afirmativas são necessárias principalmente para corrigir desigualdades históricas e promover a justiça social e a igualdade material. Elas visam garantir que grupos historicamente marginalizados tenham acesso a oportunidades e espaços de poder dos quais foram sistematicamente excluídos. 

As principais necessidades e justificativas para as ações afirmativas incluem:

• Reparação Histórica: Compensar desvantagens acumuladas ao longo de séculos de discriminação e exclusão social, racial e econômica (como a escravidão no Brasil), que estruturaram a sociedade de forma desigual.

• Promoção da Igualdade Material: Ir além da igualdade formal (todos são iguais perante a lei) e garantir a igualdade de oportunidades na prática, tratando os desiguais de forma desigual para alcançar um resultado equitativo.

• Combate à Discriminação: Neutralizar os efeitos da discriminação racial, de gênero, de origem nacional, entre outras, que ainda persistem na sociedade atual.

• Inclusão Social e Diversidade: Promover a inclusão de grupos sub-representados (como pessoas negras, indígenas, quilombolas e pessoas com deficiência) em instituições de ensino e no mercado de trabalho, enriquecendo esses ambientes com diferentes perspectivas e experiências.

• Ampliação da Mobilidade Social: Possibilitar o acesso à educação de qualidade e a empregos dignos para indivíduos de contextos socioeconômicos desfavorecidos, o que tem potencial para mudar suas vidas e de suas famílias.

• Garantia de Direitos e Dignidade Humana: Assegurar a efetivação de direitos e a dignidade da pessoa humana para todos os cidadãos, um compromisso fundamental do Estado. 

Em resumo, as ações afirmativas são ferramentas temporárias e específicas que buscam desmantelar estruturas de desigualdade arraigadas, na expectativa de que um dia, em uma sociedade verdadeiramente justa, elas não sejam mais necessárias. 

Exemplos de ações afirmativas:

· Cotas raciais e sociais em universidades e concursos públicos.

· Políticas de incentivo à contratação de pessoas com deficiência, negros e mulheres.

· Programas de financiamento para empreendedores de grupos sub-representados.

As ações afirmativas são alvo de críticas principalmente por argumentos que as acusam de:

· Ferir o princípio da "meritocracia" (ignorando que o mérito é distorcido por privilégios).

· Criar "vitimismo" ou "privilégios para uns" (invertendo a lógica de que buscam equilibrar privilégios já existentes).

· Promover "divisão social" (quando, na verdade, buscam sanar divisões históricas).

Será que essas críticas são racionais?

Construindo um Brasil Melhor: Um Projeto de Todos

Como podemos criar um Brasil mais justo, próspero e menos violento e desigual? A resposta é multifacetada e exige um pacto social que inclua:

1. Educação de Qualidade e Antirracista: Base para a cidadania, o pensamento crítico e a quebra de ciclos de exclusão.

2. Fortalecimento de Políticas de Equidade: Manter e ampliar ações afirmativas e políticas de redistribuição de renda.

3. Regulamentação Responsável das Redes Sociais: Combater a desinformação e o discurso de ódio, protegendo a democracia.

4. Fortalecimento das Instituições Democráticas: Combate à corrupção e garantia de que o Estado funcione para todos.

5. Cultura da Empatia e do Diálogo: Usar as ferramentas digitais para a construção de pontes, e não de muros.

As redes sociais, em sua dualidade, são um espelho de nossa sociedade. Elas podem ser o megafone que amplifica o grito por justiça ou a câmara de eco que amplifica o ódio. Cabe a nós, seres sociais dotados de consciência e empatia, usar essa ferramenta poderosa não para nos fragmentarmos, mas para tecer, coletivamente, a rede de solidariedade e ação concreta necessária para incluir todos os brasis que habitam este país.

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