Uma Jornada pela América Latina: "Diários de Motocicleta" e a Descoberta de uma Consciência Social
01. O que é Consciência Social?
Consciência social é a habilidade de compreender o próprio papel na sociedade, ter empatia pelas outras pessoas e reconhecer as questões sociais, políticas e ambientais que afetam a coletividade. Desenvolver a consciência social significa ter a capacidade de considerar as perspectivas alheias, respeitar as diferenças e agir com responsabilidade, buscando entender as raízes dos problemas sociais para contribuir para um mundo mais justo e inclusivo.
02. Componentes da consciência social
Empatia: A capacidade de se colocar no lugar do outro, entender seus sentimentos e emoções.
Perspectiva: Habilidade de considerar e entender o ponto de vista de outras pessoas, grupos e comunidades.
Responsabilidade social: O entendimento de que se tem direitos e deveres para com a sociedade, buscando agir para resolver injustiças e problemas sociais.
Respeito: Valorizar e respeitar a diversidade, a pluralidade e as diferenças individuais e culturais.
Importância.
Desenvolvimento pessoal: Contribui para a formação da personalidade, tornando as pessoas mais responsáveis e justas.
Relacionamentos: Fortalece os relacionamentos interpessoais, melhora a comunicação e a resolução de conflitos.
Ação coletiva: Inspira a ação em busca de justiça social e o engajamento em causas que beneficiam a sociedade.
Liderança: É uma habilidade fundamental para líderes, que conseguem influenciar e desenvolver equipes de forma mais eficaz.
Melhoria social: Ajuda a identificar as causas dos problemas sociais e incentiva a busca por soluções e melhorias para a comunidade como um todo.
03. Sinopse do filme: Mais do que uma Aventura, um Rito de Passagem
"Diários de Motocicleta" (2004), dirigido por Walter Salles, narra a jornada de dois jovens argentinos, Ernesto Guevara de la Serna (futuro Che Guevara) e seu amigo Alberto Granado, em uma viagem de motocicleta através da América do Sul em 1952. O que começa como uma aventura juvenil, um último suspiro de liberdade antes da vida adulta, transforma-se radicalmente em um profundo processo de aprendizado e transformação. A motocicleta, batizada de "A Poderosa", simboliza inicialmente a máquina de seus sonhos, mas acaba sucumbindo ao caminho acidentado, forçando os viajantes a continuarem a pé, de carona ou de barco. Esse colapso do veículo é uma metáfora poderosa para o desmoronamento de suas visões de mundo pré-concebidas. A viagem física torna-se uma viagem de descoberta interior, onde Ernesto, um estudante de medicina de classe média, entra em contato direto com o coração pulsante e, muitas vezes, sofrido, do continente latino-americano.
04. A Sociologia e a História no Caminho: Desnaturalizando a Realidade
A grande contribuição do filme para nosso pensamento crítico está em sua capacidade de desnaturalizar as realidades sociais. O que para muitos era (e ainda é) visto como "o jeito que as coisas são", para Ernesto torna-se uma série de construções históricas e culturais injustas que precisam ser questionadas.
· Análise do Status Quo e Desigualdade Social: O status quo, ou a situação atual, é apresentado como um sistema que beneficia uma minoria às custas da maioria. Ernesto testemunha isso em diversos momentos:
· Exemplo 1: O Casal de Mineiros Perseguidos. Encontrar um casal de trabalhadores mineiros, fugitivos por se organizarem por melhores condições, é a primeira grande fissura na visão de mundo de Ernesto. Ele percebe que o sistema jurídico e policial não é neutro; ele atua para proteger os interesses dos exploradores, criminalizando a luta dos explorados.
· Exemplo 2: A Exploração dos Trabalhadores da Mina de Cobre de Chuquicamata, Chile. A cena na mineração é uma aula de sociologia do trabalho. Ernesto e Alberto veem de perto a vida dos trabalhadores, reduzidos a meros instrumentos descartáveis em um sistema que valoriza mais o cobre do que a vida humana. A paisagem árida e inóspita reflete a aridez de suas existências, mostrando como a pobreza não é uma falha individual, mas uma consequência estrutural da exploração capitalista.
05. A Construção de uma Identidade Latino-Americana e a Crítica ao Imperialismo
A viagem permite a Ernesto transcender as fronteiras nacionais. Ele deixa de ser apenas um argentino e passa a se identificar como latino-americano. Essa nova identidade surge da percepção de que os povos do continente compartilham histórias semelhantes de dominação, pobreza e resistência.
· O Imperialismo e o Racismo: O filme conecta a pobreza ao legado colonial e ao imperialismo moderno. A visita às ruínas de Machu Picchu é um momento crucial. Ernesto reflete sobre a grandeza da civilização inca, destruída pela colonização europeia. Ele critica abertamente a dominação estrangeira, percebendo que as riquezas do continente são continuamente drenadas para o exterior, deixando para trás miséria e um povo subjugado. O racismo contra as populações indígenas, que ele testemunha, é entendido como uma ferramenta de opração para justificar essa exploração, criando uma hierarquia social onde o europeu (ou seu descendente branco) é superior.
06. A Formação de Che Guevara: A Fusão entre a Teoria e a Prática
A transformação de Ernesto, o estudante, em Che, o revolucionário, é o cerne do filme. A Filosofia nos ajuda a entender isso como um processo de práxis – a união entre a reflexão teórica e a ação prática.
· A Teoria: Ernesto era um jovem instruído, com acesso a livros e ideias. Ele tinha um conhecimento sobre a pobreza e a injustiça.
· A Prática: A viagem fornece a experiência sensível. Ele não lê sobre a lepra, ele a vê. Ele não estuda a fome, ele a sente na pele ao dividir uma refeição miserável com um casal faminto. Ele não debate o racismo em sala de aula, ele o presencia na forma como os pacientes indígenas são tratados na colônia de leprosos.
· A Síntese (A Práxis): A fusão entre o que ele sabia (teoria) e o que ele viveu (prática) gera uma nova consciência. A cena final, no seu aniversário, é a cristalização disso. Ele atravessa o rio a nado, desafiando as regras que segregam doentes e saudáveis, em um ato simbólico de união e humanidade. Seu brinde não é por si mesmo, mas "pelo Peru e por uma América Unida". A jornada terminou, e o revolucionário nasceu.
Conclusão para Reflexão em Sala:
"Diários de Motocicleta" não é um filme sobre um herói pronto, mas sobre o nascimento de uma consciência crítica. Ele nos convida a sair de nossas "bolhas" e a olhar para a realidade social não como um dado natural, mas como uma construção humana, passível de transformação. A pergunta que fica, e que devemos levar conosco, é: O que nos motiva a questionar o status quo? Que jornadas – físicas ou intelectuais – precisamos empreender para desenvolver nossa própria consciência crítica sobre o mundo e nossa posição nele?
O filme nos ensina que a mudança começa com a capacidade de se indignar com a injustiça e, principalmente, de se solidarizar com aqueles que a sofrem.
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ATIVIDADE PONTUADA (+1,5)
Exercício: Análise do Filme "Diários de Motocicleta"
Nome: _________________________________________
Data:_____________
Turma:_____________
Instruções:
Leia atentamente o texto"Uma Jornada pela América Latina: 'Diários de Motocicleta' e a Descoberta de uma Consciência Social" e responda às questões abaixo.
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PARTE 1: QUESTÕES DISCURSIVAS (01 a 08)
As respostas para estas questões devem ser encontradas diretamente no texto fornecido.
01. De acordo com a sinopse apresentada no texto, qual era o objetivo inicial da viagem de Ernesto e Alberto, e como ele se transformou?
02. O que a quebra da motocicleta, "A Poderosa", simboliza metaforicamente na jornada dos personagens?
03. O que significa "desnaturalizar" as realidades sociais, um conceito chave apresentado no texto?
04. Forneça os dois exemplos do filme citados no texto que ilustram a análise do status quo e a desigualdade social.
05. Como a viagem contribuiu para a formação de uma nova identidade em Ernesto?
06. Segundo o texto, como o filme conecta a pobreza na América Latina a questões históricas mais amplas?
07. O conceito filosófico de "práxis" é usado para explicar a transformação de Ernesto. Explique o que é "A Teoria" e "A Prática" neste contexto.
08. Qual é o ato simbólico na cena final do filme que cristaliza a transformação de Ernesto, e qual é o teor de seu brinde?
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PARTE 2: QUESTÕES DE MÚLTIPLA ESCOLHA (09 a 16)
Marque a alternativa correta.
09. O filme "Diários de Motocicleta" se passa em que ano e é dirigido por quem?
a)2002, por Fernando Meirelles
b)2004, por Walter Salles
c)1952, por Alberto Granado
d)2006, por José Padilha
10. A capacidade de se colocar no lugar do outro, entendendo seus sentimentos, é um dos componentes da consciência social conhecido como:
a)Responsabilidade Social
b)Perspectiva
c)Respeito
d)Empatia
11. A cena do casal de mineiros perseguidos é significativa porque mostra a Ernesto que:
a)A vida na estrada é perigosa.
b)O sistema jurídico-policial não é neutro e protege os interesses dos exploradores.
c)Os trabalhadores não devem se organizar.
d)A Argentina é um país mais justo que seus vizinhos.
12. A visita às ruínas de Machu Picchu no filme serve principalmente para:
a)Mostrar um ponto turístico famoso.
b)Criticar a grandiosidade das civilizações antigas.
c)Refletir sobre a grandeza de uma civilização destruída pela colonização e conectar isso à crítica do imperialismo.
d)Demonstrar o interesse de Ernesto pela arquitetura.
13. O conceito de "práxis", central para entender a transformação do personagem, refere-se à:
a)União entre reflexão teórica e ação prática.
b)Teoria pura sobre a revolução.
c)Aventura sem objetivos claros.
d)Prática médica de Ernesto.
14. A conclusão do texto propõe que a mudança social começa com:
a)O acesso à educação formal.
b)A capacidade de se indignar com a injustiça e se solidarizar com quem a sofre.
c)A necessidade de viajar pelo mundo.
d)O estudo aprofundado da economia.
15. Qual dos seguintes NÃO é apontado no texto como um componente da consciência social?
a)Empatia
b)Responsabilidade Social
c)Obediência Hierárquica
d)Respeito
16. A paisagem árida e inóspita da mina de Chuquicamata, no filme, é usada para refletir:
a)A beleza natural do deserto.
b)A aridez da existência dos trabalhadores explorados.
c)O desafio da aventura dos viajantes.
d)A falta de água no continente.
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