Conhecimento Mitológico - Características e Diferenças
Conhecimento Mitológico
Definição
O conhecimento mitológico é uma forma de explicação da realidade baseada em narrativas simbólicas, transmitidas por tradições orais ou escritas. Os mitos são histórias que envolvem deuses, heróis e eventos sobrenaturais, servindo para explicar a origem do mundo, os fenômenos naturais e os valores culturais de um povo.
Características
- Narrativa simbólica: Utiliza metáforas e alegorias para transmitir ensinamentos.
- Explicação sobrenatural: Atribui fenômenos naturais e humanos à ação de divindades ou forças mágicas.
- Função social e religiosa: Fortalece a identidade cultural, justifica costumes e estabelece normas morais.
- Transmissão oral ou escrita: Passado de geração em geração em forma de lendas, poemas (como a *Ilíada* e a *Odisseia*) e rituais.
Exemplos
- Na mitologia grega, o trovão era explicado como a fúria de Zeus.
- Na mitologia nórdica, os eclipses eram vistos como o lobo Fenris ameaçando devorar o Sol.
O cristianismo e a utilização de alegorias e narrativas simbólicas
O Cristianismo, especialmente na Bíblia, incorpora algumas imagens, conceitos e narrativas que têm paralelos ou ressonâncias com mitologias antigas. Isso não significa que a Bíblia "copie" mitos, mas que, em seu contexto histórico, ela dialoga com as culturas ao redor, muitas vezes reinterpretando ou contestando mitos pagãos. Aqui estão alguns exemplos:
1. O Dragão / Serpente no Gênesis e no Apocalipse
- Gênesis 3: A serpente que tenta Eva lembra criaturas mitológicas como Tiamat (babilônica) ou Apófis (egípcia), seres caóticos derrotados por divindades.
- Apocalipse 12: O "grande dragão" (Satanás) é descrito como uma serpente derrotada, ecoando mitos onde dragões representam o caos (como Leviatã ou o mito de Zeus vs. Tifão).
2. O Dilúvio Universal (Gênesis 6–9)
- A história de Noé tem paralelos com mitos de inundações em várias culturas, como o Epopeia de Gilgamesh (com Utnapishtim) e o mito de Deucalião na Grécia. A estrutura é similar: um herói avisado, um barco, animais salvos e um recomeço.
3. Leviatã e Beemote (Jó 40–41)
- Essas criaturas monstruosas lembram mitos cananeus e mesopotâmicos. Leviatã é associado a um dragão marinho, similar a Lotan (mito ugarítico) ou Tiamat.
4. A Ressurreição e Mitos de Deuses que Morrem e Renascem
- A morte e ressurreição de Jesus têm sido comparadas (de forma limitada) a mitos como Osíris (Egito) ou Adônis (Grécia), embora o Cristianismo enfatize a historicidade e o significado único de Cristo.
5. A Batalha Cósmica no Apocalipse
- O conflito entre Deus e Satanás (Apocalipse 12–20) lembra mitos de batalhas divinas, como **Baal vs. Yam** (Ugarit) ou Marduk vs. Tiamat (Babilônia).
6. Os "Filhos de Deus e os Nefilins (Gênesis 6:1–4)
- A menção a seres divinos que se unem a humanas e geram gigantes ecoa mitos gregos (como os Titãs) ou a tradição dos "vigilantes" no Livro de Enoque (texto judaico não-canônico).
7. A Torre de Babel (Gênesis 11)
- A narrativa da torre que desafia os céus lembra mitos como o zigurate de Etemenanki (Babilônia) ou a história de Prometeu(que desafia Zeus).
Importante:
A Bíblia não é mitologia no sentido de ser uma coleção de lendas fictícias, mas usa linguagem e símbolos familiares ao seu tempo para transmitir verdades teológicas. Muitas vezes, esses elementos são resignificados para contestar os mitos pagãos (ex.: Deus derrota Leviatã, mostrando soberania sobre o caos).
Se quiser explorar mais, veja como os salmos (e.g., Salmo 74:14) ou profetas (e.g., Isaías 27:1) usam imagens mitológicas para afirmar o poder de Yahweh.
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