sexta-feira, 28 de março de 2025

03 de 2025 Lab. Ciências Humanas e Sociais

Aula 03 - O conhecimento mitológico.

Conhecimento Mitológico - Características e Diferenças

Conhecimento Mitológico

Definição

O conhecimento mitológico é uma forma de explicação da realidade baseada em narrativas simbólicas, transmitidas por tradições orais ou escritas. Os mitos são histórias que envolvem deuses, heróis e eventos sobrenaturais, servindo para explicar a origem do mundo, os fenômenos naturais e os valores culturais de um povo.  

Características

- Narrativa simbólica: Utiliza metáforas e alegorias para transmitir ensinamentos.
  
- Explicação sobrenatural: Atribui fenômenos naturais e humanos à ação de divindades ou forças mágicas.  

- Função social e religiosa: Fortalece a identidade cultural, justifica costumes e estabelece normas morais.

- Transmissão oral ou escrita: Passado de geração em geração em forma de lendas, poemas (como a *Ilíada* e a *Odisseia*) e rituais.  

Exemplos

- Na mitologia grega, o trovão era explicado como a fúria de Zeus.  

- Na mitologia nórdica, os eclipses eram vistos como o lobo Fenris ameaçando devorar o Sol.  

O cristianismo e a utilização de alegorias e narrativas simbólicas 

O Cristianismo, especialmente na Bíblia, incorpora algumas imagens, conceitos e narrativas que têm paralelos ou ressonâncias com mitologias antigas. Isso não significa que a Bíblia "copie" mitos, mas que, em seu contexto histórico, ela dialoga com as culturas ao redor, muitas vezes reinterpretando ou contestando mitos pagãos. Aqui estão alguns exemplos:

1. O Dragão / Serpente no Gênesis e no Apocalipse

   - Gênesis 3: A serpente que tenta Eva lembra criaturas mitológicas como Tiamat (babilônica) ou Apófis (egípcia), seres caóticos derrotados por divindades.  

   - Apocalipse 12: O "grande dragão" (Satanás) é descrito como uma serpente derrotada, ecoando mitos onde dragões representam o caos (como Leviatã ou o mito de Zeus vs. Tifão).  

2. O Dilúvio Universal (Gênesis 6–9)

   - A história de Noé tem paralelos com mitos de inundações em várias culturas, como o Epopeia de Gilgamesh (com Utnapishtim) e o mito de Deucalião na Grécia. A estrutura é similar: um herói avisado, um barco, animais salvos e um recomeço.  

3. Leviatã e Beemote (Jó 40–41)

   - Essas criaturas monstruosas lembram mitos cananeus e mesopotâmicos. Leviatã é associado a um dragão marinho, similar a Lotan (mito ugarítico) ou Tiamat.  

4. A Ressurreição e Mitos de Deuses que Morrem e Renascem

   - A morte e ressurreição de Jesus têm sido comparadas (de forma limitada) a mitos como Osíris (Egito) ou Adônis (Grécia), embora o Cristianismo enfatize a historicidade e o significado único de Cristo.  

5. A Batalha Cósmica no Apocalipse

   - O conflito entre Deus e Satanás (Apocalipse 12–20) lembra mitos de batalhas divinas, como **Baal vs. Yam** (Ugarit) ou Marduk vs. Tiamat (Babilônia).  

6. Os "Filhos de Deus e os Nefilins (Gênesis 6:1–4)

   - A menção a seres divinos que se unem a humanas e geram gigantes ecoa mitos gregos (como os Titãs) ou a tradição dos "vigilantes" no Livro de Enoque (texto judaico não-canônico).  

7. A Torre de Babel (Gênesis 11)

   - A narrativa da torre que desafia os céus lembra mitos como o zigurate de Etemenanki (Babilônia) ou a história de Prometeu(que desafia Zeus).  

Importante:  

A Bíblia não é mitologia no sentido de ser uma coleção de lendas fictícias, mas usa linguagem e símbolos familiares ao seu tempo para transmitir verdades teológicas. Muitas vezes, esses elementos são resignificados para contestar os mitos pagãos (ex.: Deus derrota Leviatã, mostrando soberania sobre o caos).  

Se quiser explorar mais, veja como os salmos (e.g., Salmo 74:14) ou profetas (e.g., Isaías 27:1) usam imagens mitológicas para afirmar o poder de Yahweh.


Foto da aula 03 na turma 2001

Foto aula 03 turma 2002

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